O Ocidente X Oriente

O Ocidente sempre priorizou o “eu” como centro da experiência, enquanto no Oriente a identidade tende a ser compreendida como algo passageiro e impermanente, havendo uma crítica ou rejeição do ego. Nesse sentido, a própria noção de reencarnação no Ocidente assume um caráter mais individualista, ao passo que, no Oriente, ela tende a ser menos centrada na continuidade de um “eu” pessoal — com exceções pontuais, como o sufismo.


Essa diferença ajuda a explicar por que, historicamente, no Ocidente predominou o individualismo liberal, enquanto no Oriente se desenvolveram concepções sociais mais coletivistas ou comunitárias. No budismo, sobretudo, a ideia de um ego substancial é amplamente rejeitada, ao passo que no hinduísmo ela é mais aceita, ainda que ambas as tradições apresentem grande diversidade interna e múltiplas vertentes interpretativas.

No budismo tibetano, observa-se uma valorização maior de uma concepção de reencarnação que se aproxima da ideia de uma continuidade psíquica individual, por vezes interpretada de modo semelhante à noção de uma “alma reencarnante”. Ainda assim, o espiritismo apresenta maior afinidade com a tradição ocidental da metempsicose grega — especialmente em Platão, nos neoplatônicos, bem como em autores cristãos como Orígenes e os originistas — do que com as concepções orientais clássicas.

Comentários

Postagens mais visitadas