Espiritismo e o porte de armas:



No Livro dos Espíritos pergunta-se sobre a auto defesa:

748. Em caso de legítima defesa, escusa Deus o assassínio?
“Só a necessidade o pode escusar. Mas se o agredido puder preservar sua vida sem atentar contra a de seu agressor, deverá fazê-lo.”

A legítima defesa é um direito, regulado de acordo com a necessidade. Se for preciso se defender para preservar sua vida isso é legítimo.

Já ouvi muita gente dizer que não dá pra ser policial ou militar sendo espírita, por conta de ter que se defender e as vezes acabar ferindo letalmente outra pessoa. Mas as questões 748 e 749 deixam claro que não é isso:

749. O homem é culpável pelos assassínios que comete na guerra?
— Não, quando é constrangido pela força; mas é responsável pelas crueldades que comete. Assim, também o seu sentimento de humanidade será levado em conta.

Nós espíritas somos pacíficos mas não pacifistas. Além do porte de armas servir para proteger o cidadão de bem de eventuais assaltos, por exemplo, também o protege de governos tiranos, não democráticos. Por isso o LE nos diz que a guerra pode levar a liberdade. Com a população armada, isso impede que governos autoritários entrem no poder e caso isso ocorra, pode-se depô-los. Vejamos:

744. Qual o objetivo da Providência ao tornar a guerra necessária?
       — A liberdade e o progresso.

No evangelho de lucas, no capítulo 22, versículo 36, lemos que o próprio Jesus recomendou que os discípulos comprassem espadas para se defender:
"Então lhes disse: Agora, porém, o que tem bolsa, tome-a, como também o alforge; e o que não tem dinheiro, venda a sua capa e compre espada."

Costumam usar Matheus 26:52 para proibir o porte de armas:
"Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão."

Mas nesse contexto pedro estava portando uma arma. Se Jesus fosse contra o porte, por qual motivo um de seus discípulos mais próximos estaria portando uma espada? Jesus o repreendeu apenas por não se tratar de um caso de legítima defesa, onde a vida de Jesus estava em perigo naquele instante. O centurião não o estava agredindo naquela circunstância. A autodefesa deve respeitar o princípio de proporcionalidade.

Porém, existe uma nota de Kardec, no cap. XII de OESE, que é muita das vezes utilizada por desarmamentistas para negar o direito ao porte de armas: "16. NOTA. Os duelos se vão tornando cada vez mais raros e, se de tempos a tempos alguns de tão dolorosos exemplos se dão, o número deles não se pode comparar com o dos que ocorriam outrora. Antigamente, um homem não saía de casa sem prever um encontro, pelo que tomava sempre as necessárias precauções. Um sinal característico dos costumes do tempo e dos povos se nos depara no porte habitual, ostensivo ou oculto, de armas ofensivas ou defensivas. A abolição de semelhante uso demonstra o abrandamento dos costumes e é curioso acompanhar-lhes a gradação, desde a época em que os cavaleiros só cavalgavam bardados de ferro e armados de lança, até a em que uma simples espada à cinta constituía mais um adorno e um acessório do brasão, do que uma arma de agressão. Outro indício da modificação dos costumes está em que, outrora, os combates singulares se empenhavam em plena rua, diante da turba, que se afastava para deixar livre o campo aos combatentes, ao passo que estes hoje se ocultam. Presentemente, a morte de um homem é acontecimento que causa emoção, enquanto que, noutros tempos, ninguém dava atenção a isso. O Espiritismo apagará esses últimos vestígios da barbárie, incutindo nos homens o espírito de caridade e de fraternidade."

Contudo, o que Kardec está afirmando é que quando um povo vai progredindo e se tornando menos violento a necessidade de auto defesa diminui. Mas ele não está condenando a auto defesa enquanto ela ainda é necessária.

E. TP 

Comentários

  1. Isso me lembrou muito dos amigos que fazem malabarismos com trechos para não se comprometerem com suas posições ideológicas frente ao aborto. E de não-amigos que chegam a fazer palestra justificando o direito ao aborto...
    Pedro julgou-se em seu direito e a advertência não tardou: "morrerão à espada"...
    Há gradação de pesos e de consequências, mas os Espíritos não deixam de dizer a Kardec que "aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou missão" e "todo crime é um crime".
    Para quem não milita radicalmente por campos ideológicos que cultuam as armas para "defesa", não dá para ignorar que a essência da 748 passa pelo dever de preservar a vida sem atentar contra a de seu próximo/agressor. A menos que a necessidade imponha o contrário, é o que devemos fazer: preservar vidas, encarnações.
    E isso é inconciliável com a ideia de portar ou possuir uma arma letal. Se porto ou possuo, tenho intenção. Se premedito seu uso, as chances de conseguir provar irremediável necessidade se tornam mínimas. Não é como um empurrão ou uma pancada com um objeto encontrado às pressas, ao alcance das mãos. É voluntariamente escolher o risco de atentar contra a vida de alguém com algo que existe para matar, caso esse alguém ofereça-me risco...
    E não posso deixar de lamentar também, já que não estou bloqueado ainda, a conclusão do texto, em que visões pessoais são cobertas por um "nós espíritas".
    Permito-me, então, prezando e estimulando a Lei de Liberdade, corrigir o título. O correto é: "Eric e o porte de armas".
    Fraternalmente,
    Eduardo Lyra

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    1. Como eu expliquei no texto, Jesus repreendeu pedro pois não se tratava ali de um caso de legítima defesa. O centurião não estava agredindo Jesus naquele momento. E Jesus não poderia ser contra o porte, dado que pedro estava portando uma arma. E o próprio Jesus em Lucas 22, como está no texto, recomenda aos discípulos comprarem espadas, que também eram feitas pra matar. A questão 748 diz claramente que em caso de legítima defesa, Deus pode escusar o assassino de acordo com a necessidade. Ou seja, a pessoa tem direito a legítima defesa, com qualquer coisa que estiver em mãos. Seja uma arma de fogo ou outro objeto. Então se por exemplo a casa de um pai de família é invadida e o bandido ameaça seus filhos com uma arma de fogo, como o pai vai se defender? Não tem outro jeito a não ser com outra arma. Respeito sua opinião mas o que tentei demonstrar é que nada na moral cristã e espírita (que são uma só) proíbe o porte de armas. Abraços

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  2. Que Jesus e os bons espíritos tenham misericórdia de vc. Tenha coragem e fale em seu próprio nome. Vc ñ representa a Doutrina Espírita e nem os espíritas.

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    1. Eu utilizei argumentos doutrinários. Coloque os seus argumentos aqui e vamos debater. Abraços

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  3. Continuação do texto acima: https://blogespiritacomkardec.blogspot.com/2020/07/jesus-nao-condena-defesa-mas-vinganca.html

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  4. "9. Não penseis que eu tenha vindo trazer paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada."
    (S. MATEUS, 10:34 a 36.) Explicação completa: https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/887/o-evangelho-segundo-o-espiritismo/2610/capitulo-xxiii-estranha-moral/nao-vim-trazer-a-paz-mas-a-divisao

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