Caso das Máscaras de Chumbo:

Manifestações espontâneas: 

"Estou tão perdido e confuso. Não consigo ver nada, apenas uma forte chuva. Sintome traído e cada vez mais em perturbação. Ajudem-me. Falo junto com o amigo que me acompanhava. Ele também sofre.” Manoel Pereira da Cruz, Miguel José Viana 

NOTA: Ninguém no grupo conhecia alguém que correspondesse à Izabel que assina a última mensagem. Os nomes de Manoel Pereira da Cruz e Miguel José Viana são exatamente os das vítimas no misterioso e célebre Caso das Máscaras de Chumbo. Segundo as autoridades, os homens, dois técnicos em eletrônica, partiram da cidade de Campos dos Goytacazes, onde moravam, no dia 17 de agosto de 1966, dizendo às suas mulheres que estavam indo para São Paulo comprar materiais de trabalho. Embarcaram em um ônibus e chegaram em Niterói por volta das 14h30, onde compraram, em uma loja de ferramentas, uma capa impermeável e, em uma loja de conveniência, uma garrafa d'água. Segundo uma funcionária do estabelecimento, Miguel José Viana parecia estar nervoso na ocasião, como se "tivesse hora marcada". Dali, os homens teriam rumado para o local no morro do Vintém onde foram encontrados mortos quatro dias depois. O médium conhecia o caso, embora não estivesse particularmente interessado no assunto naquele momento. O Espírito, então, fez uma manifestação psicofônica: 

“Olá.” Dialogador - “Olá, seja bem-vindo!” “Quem são vocês?” 

Dialogador - “Nós somos um grupo espírita. Você já ouviu falar em grupos espíritas?” “Eu fui espírita em vida.” 

Dialogador - “Maravilha. Estamos em uma reunião em que nos comunicamos com Espíritos através de um médium. Tendo sido espírita, você certamente entende a que me refiro.” “Entendo.” 

Dialogador - “O que é que te traz aqui? Estamos conversando com quem?” “Com o Manoel.” 

Dialogador - “Seja bem-vindo, Manoel. Você nos procurou e externou uma mensagem por escrito dizendo que estava perdido e confuso e nada conseguia ver além de uma chuva forte. Qual a última coisa de que se lembra antes disso?” “Eu me lembro de tomar uma pílula e depois já estava no chão. Acho que foi alguma coisa que eu tomei.” 

Dialogador - “Provavelmente, sim, isso deve ter provocado a sua desencarnação. Você tem ciência de que está desencarnado, certo?” “Mas eu estou... Não consigo deixar de sentir raiva e ódio.” 

Dialogador - “Mas, sendo espírita, você sabe que isso não te ajuda.” “Meu amigo está mais perdido que eu.” 

Dialogador - “Para você poder ajudar seu amigo, precisa primeiro resolver a situação em que se encontra. Você sente raiva e ódio de alguém em específico?” “Eles disseram que eram espíritas também, mas me enganaram.” 

Dialogador - “Quem disse isso?” “O grupo de que eu participava.” 

Dialogador - “Foram eles que te fizeram tomar essa pílula que tomou?” “Sim. Eu não sabia que iria me matar.” 

Dialogador - “Claramente, não eram pessoas bem-intencionadas, estamos de acordo. Mas, você, como espírita, que está, como Espírito, conversando comigo num grupo espírita, tem a prova, muito mais diretamente do que qualquer um de nós, da veracidade das teses que abraçamos. Você sabe, independentemente de eles serem falsos espíritas, como espírita, que o ódio não te ajudará a sair da perturbação em que você mesmo admitiu que se encontra. Você não concorda comigo?” “Eu tento perdoar, mas é difícil. Eu não estou conseguindo. E eu fico pensando: por que alguém que se intitula espírita faria isso? Algum tipo de sacrifício humano para algum tipo de entidade? Eles acham mesmo que vão ganhar fazendo isso?” 

Dialogador - “Olha, meu amigo, não sei qual foi a lógica que os levou a fazer o que fizeram, mas certamente é falsa, como você mesmo diagnosticou. Pode ser que acreditassem nisso, que estavam fazendo algum tipo de tributo, mas ambos sabemos que isso não os levará a um bom caminho. Porém, não tem de ser você mesmo a punilos, pois você estará punindo a si mesmo, sem precisar, desnecessariamente se enfiando numa situação de sofrimento. Sei que nós espíritas sabemos, já que falo com um irmão de crença, que o tempo que passamos aqui na Terra não é nada, é curtíssimo, mas, do nosso ponto de vista, o irmão está nessa situação desde 1966. É muito tempo, para nós, em que o irmão está vagando nesse sofrimento inutilmente. Você deveria dar o próximo passo. Você já viu outros Espíritos desencarnados além de você?” “Desencarnados, não. Eu tentei ajudar a polícia, mas eles eram tão poderosos e ricos, alguns ainda vivos, que se safaram de tudo.” 

Dialogador - “Eles não se safaram de tudo, pelo menos, não para sempre. Mas diga.” “A justiça de Deus vai ser feita?” 

Dialogador - “A justiça de Deus é feita todos os dias. Podemos não perceber ou compreender de imediato, mas sempre é feita. Você não comete um malfeito sem que isso tenha uma consequência. Talvez não seja no momento em que você gostaria de ver acontecer ou da maneira por que julga que deveria acontecer, mas virá, até porque esses irmãos nossos que fizeram o que fizeram precisam aprender que o que fizeram foi errado para darem o próximo passo na sua evolução. Mas o teu momento é de pensar na tua situação, em sair dela, e o Espiritismo te ensinou, como ensina a todos nós, um caminho para começar a se desembaraçar dessas prisões que nós mesmos construímos, que é a prece. Em algum momento de seu esforço para não odiar e não ficar preso a isso, você pensou em fazer uma oração?” “Eu oro, mas não vejo nada. Não vejo meu anjo, só vejo outros encarnados. Fico vagando pelos centros espíritas de Niterói, que não fizeram nada. Foram condescendentes.” 

Dialogador - “Você tentou se comunicar com eles?” “Eles não fizeram nada.” 

Dialogador - “Mas você tentou se comunicar com eles numa sessão como esta?” “Não, eles não fizeram nada para pegar os criminosos.” 

Dialogador - “É como você disse: por que alguém que se orna do título de espírita faria uma coisa dessas? Como já se ornam do título de cristão... O homem é imperfeito. Estamos num mundo de provas e expiações, onde o mal prepondera, você sabe disso. Os títulos, por mais nobres que sejam, não modificam quem nós somos por dentro. Não é por se dizerem espíritas que serão os verdadeiros espíritas aos quais se refere a obra de Kardec. Os títulos não nos tornam melhores e sim o nosso próprio esforço, e, neste momento, o teu esforço deveria ser em tirar tua preocupação desse caso. Essas criaturas que fizeram o que fizeram terão as consequências do que fizeram, não porque Deus tenha prazer em torturar e fazer com que os maus paguem, mas porque eles precisam passar por isso para se emendarem e seguirem o caminho do bem. Só que não há necessidade nenhuma de você também se castigar por isso, pelo erro que eles fizeram. Ficar preso nessa questão terrena é um castigo para você. Por que você não faz o que é bom para você mesmo e se aclimata ao mundo espiritual? É por conta disso que você não vê outros Espíritos. Você vê um, não é, que é o seu amigo Miguel, mas, por conta disso, não vê os outros, porque está com a ideia fixa nessa questão. Você não desviou suficientemente seu pensamento para a necessidade de contatar os Espíritos em seu entorno. Queria te convidar a me acompanhar seriamente em uma prece para verificarmos se isso não traz algum refrigério ou aumento de percepção. Com certeza, você perceberá os Espíritos em nosso entorno em algum momento; esperamos que seja agora.” “Você pode orar por mim e pelo meu amigo?” 

Dialogador - “Com certeza. Faremos isso neste momento e quantas vezes forem necessárias.” “Graças a Deus!” 

NOTA: Foi feita a prece e a psicofonia cessou. No entanto, simultaneamente, outro médium produziu uma psicopictografia, com a ilustração de um morro extremamente semelhante ao morro do Vintém. O médium nada sabia a respeito do caso em questão, tampouco que os corpos foram encontrados em um morro, muito menos conhecia o morro em questão e sua aparência. Trata-se de uma das demonstrações mais poderosas que foram obtidas ao longo da história do grupo, com forte explicitação de independência de ideias. Ao mesmo tempo, verificou-se, após a reunião, que, de fato, uma das hipóteses para explicar as mortes suscitadas pela polícia teria sido a ingestão de uma substância por influência de um tipo de culto, e que havia interesse das vítimas por temáticas mediúnicas, sendo registrado que consultavam, por exemplo, a literatura de Ramatis.

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