Diálogo sobre esportes radicais:
“Quem são vocês?”
Dialogador — “Nós somos amigos que se reúnem semanalmente em um grupo espírita. Você sabe o que é Espiritismo? Já ouviu falar?”
“Espiritismo? Não.”
Dialogador — “Como você chegou até aqui?”
“Eu estava no meio de uma luta.”
Dialogador — “Uma luta esportiva? Boxe, algo dessa natureza?”
“Eu estava numa luta de vale-tudo.”
Dialogador — “A luta é a última coisa de que você se lembra?”
“Sim, mas eu não sei se eu ganhei, se eu perdi...”
Dialogador — “Depois da luta, você não viu mais nada?”
“Não, mas eu não sinto mais meu corpo. Não consigo me mover.”
Dialogador — “Você consegue perceber que está falando comigo através de outra pessoa?”
“Como assim? Não. Eu continuo sendo eu mesmo.”
Dialogador — “Sim, você continua sendo você mesmo, com certeza, mas eu só consigo te ver e ouvir porque você está falando através de outra pessoa, um amigo aqui do grupo, que chamamos de médium, um instrumento, um intermediário para podermos nos comunicar com você e outros como você. Você não percebeu isso, né?”
“Não, eu não entendo.”
Dialogador — “Se você não sente seu corpo, é porque também não está falando com a sua boca. Você está falando através da boca de outro, porque você é um Espírito. Você passou por aquilo que chamamos aqui na Terra de morte. Independentemente de você ter vencido ou perdido a luta que estava travando, seu corpo não resistiu aos efeitos dessa luta.”
“Eu fui campeão?”
Dialogador — “Eu não sei, eu não tenho esse conhecimento, mas você não está mais ligado a essa vida na Terra. Você deixou o mundo material e hoje é um Espírito livre do corpo. É nessa condição que você está falando comigo.”
“Minha mãe estava tão feliz por mim, mas ela ficava preocupada, porque eu gostava muito de esportes perigosos. Mas eu falei para ela que seria minha última luta e meu último esporte. Se eu fosse campeão, eu ia parar; mas então eu morri?”
Dialogador — “Você morreu. Está no mundo espiritual, que é o mundo que nos aguarda depois que morremos, na fase da vida que segue após a morte. Essa é a sua situação agora. Você veio aqui falar conosco para entender isso.”
“Mas, se eu morri, por que ainda estou aqui?”
Dialogador — “Onde você esperava estar?”
“Eu esperava ficar dormindo até meu corpo ressuscitar. Meu corpo vai se levantar ainda?”
Dialogador — “Não, seu corpo não vai se levantar. Você vai seguir sua trajetória. Você tem hoje outro corpo, que não sente como corpo físico, que é o corpo do Espírito, que nós chamamos de perispírito. Sua vida continua. Você não vai dormir em momento nenhum, não ficará inativo. Essa concepção, que certamente ensinaram a você, na verdade, não procede. Seu Espírito segue desperto. Você não dormirá nem voltará ao corpo que deixou. Você seguirá sua trajetória agora no mundo espiritual; esse é o seu próximo passo. Você entendeu?”
“Eu continuo ouvindo...”
Dialogador — “O quê?”
“A plateia gritando. Eles queriam que eu morresse.”
Dialogador — “As pessoas que estavam assistindo à luta queriam que você morresse? Confesso que não tenho o hábito de assistir a esse tipo de disputa e não imaginava que houvesse algo assim. Mas o momento em que você está agora não é de se concentrar nesse tipo de pensamento que emitiram para você. É de se reaclimatar à situação em que se encontra e ver os outros que aí estão como você. Nós já recebemos outros que estavam confusos, que tinham a sensação de estar experimentando o que aconteceu no momento em que morreram. Isso é uma repercussão daquele momento na sua mente. Não está acontecendo agora. Você não está no ringue, não está apanhando nem batendo. Você está livre do seu corpo. Aquilo não está acontecendo neste momento. Você entende isso?”
“E minha mãe? O que faço com ela? Não posso perdoar isso. Tenho que me vingar. Ele trapaceou.”
Dialogador — “O que nos acontece na Terra tem uma razão de ser. Neste momento, você não terá benefício nenhum se se entregar à raiva e procurar essa pessoa para prejudicá-la. Você estará prejudicando a si mesmo em primeiro lugar. Primeiro, você tem de perceber e entender o lugar onde está agora. Preocupe-se com o seu momento. Você está no mundo espiritual. Tente entender o mundo em que está agora, tente perceber aqueles que estão ao seu redor, que te fazem companhia e que te trouxeram para falar comigo. Tente encontrá-los e falar com eles. Esse tem de ser o seu primeiro objetivo. Primeiro, preocupe-se com a situação em que se encontra agora, em sair dela, em tatear o terreno em que se encontra.”
“Eu não consigo. É como um looping. Fico revendo e revendo, revendo e revendo a situação em que fui nocauteado, caindo e sangrando.”
Dialogador — “Deixe-me te perguntar uma coisa. Se você falou que achava que estaria dormindo esperando o corpo ressuscitar — você já sabe que não é assim, mas, se você achava que era —, essa é uma crença de algumas religiões que existem em nosso mundo, especialmente algumas denominações evangélicas. Você tinha essa ideia, então participava de uma dessas religiões, eu imagino. Estou certo ou errado?”
“Sim, eu participava.”
Dialogador — “Então, quando você frequentava essa religião, essa igreja, você devia fazer preces, não fazia? Não havia orações em público?”
“Sim.”
Dialogador — “A prece, meu amigo, é um pensamento, não importa se na igreja evangélica ou em um terreiro de Umbanda. Quando você faz uma prece, direciona seu pensamento a Deus e aos seres bons que existem no mundo espiritual. A prece é o caminho que vai te ajudar a perceber esses Espíritos que estão à sua volta. Você está preso nesse looping porque não direcionou seu pensamento a essas criaturas que estão prontas para te ajudar. Então, eu queria fazer um convite: farei uma prece na sua companhia. Você vai acompanhar comigo, em pensamento, a prece que estarei fazendo. Veremos se isso te alivia de alguma maneira, se você percebe alguma coisa. Se isso não acontecer, meu conselho é que você repita isso quando estiver separado de nosso grupo, sozinho. Mas vamos tentar, neste momento, fazer uma prece e você, seriamente, me acompanhar em pensamento. Você se disporia a isso?”
“Pode ser.”
Dialogador — “Então vamos fazer essa tentativa e ver o que acontece.”
Foi feita a prece. A comunicação se encerrou sem novos comentários do Espírito.

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