923. O que para um é supérfluo não representará, para outro, o necessário, e reciprocamente, de acordo com as posições respectivas? “Sim, segundo as vossas ideias materiais, os vossos preconceitos, a vossa ambição e as vossas ridículas extravagâncias, a que o futuro fará justiça, quando compreenderdes a verdade. Não há dúvida de que aquele que tinha cinquenta mil libras de renda, vendo-se reduzido a só ter dez mil, se considera muito desgraçado, por não mais poder fazer a mesma figura, conservar o que chama a sua posição, ter cavalos, lacaios, satisfazer a todas as paixões, etc. Acredita que lhe falta o necessário. Mas, francamente, achas que seja digno de lástima, quando ao seu lado muitos há morrendo de fome e frio, sem um abrigo onde repousem a cabeça? O homem sábio, a fim de ser feliz, olha sempre para baixo e não para cima, a não ser para elevar sua alma ao infinito.” (715.)

 923. O que para um é supérfluo não representará, para outro, o necessário, e reciprocamente, de acordo com as posições respectivas?


“Sim, segundo as vossas ideias materiais, os vossos preconceitos, a vossa ambição e as vossas ridículas extravagâncias, a que o futuro fará justiça, quando compreenderdes a verdade. Não há dúvida de que aquele que tinha cinquenta mil libras de renda, vendo-se reduzido a só ter dez mil, se considera muito desgraçado, por não mais poder fazer a mesma figura, conservar o que chama a sua posição, ter cavalos, lacaios, satisfazer a todas as paixões, etc. Acredita que lhe falta o necessário. Mas, francamente, achas que seja digno de lástima, quando ao seu lado muitos há morrendo de fome e frio, sem um abrigo onde repousem a cabeça? O homem sábio, a fim de ser feliz, olha sempre para baixo e não para cima, a não ser para elevar sua alma ao infinito.” (715.)

Comentários


  1. Quais estudos do passado que supostamente provavam diferenças entre etnias, nomes pfv

    Houve vários estudos e correntes do século XIX e início do século XX que alegavam “provar” diferenças biológicas profundas entre grupos étnicos humanos. Hoje, grande parte dessas ideias é considerada pseudociência, metodologia falha ou interpretação enviesada dos dados. Alguns exemplos históricos importantes:

    Samuel George Morton — ficou famoso por medir crânios humanos (craniometria) e afirmar que diferenças de volume craniano indicariam hierarquias intelectuais entre “raças”. Seus métodos depois foram muito criticados por viés de seleção e interpretação.

    Paul Broca — também trabalhou com medições cranianas e antropometria para defender diferenças mentais entre grupos humanos.

    Francis Galton — criou a ideia da eugenia, defendendo que características humanas, inclusive inteligência e “valor social”, seriam herdadas e poderiam ser “melhoradas” por seleção populacional.

    Cesare Lombroso — defendia a teoria do “criminoso nato”, tentando associar traços físicos e étnicos à criminalidade.

    Arthur de Gobineau — escreveu o livro Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas, influente no racismo científico europeu.

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  2. Houston Stewart Chamberlain — ajudou a popularizar teorias racialistas que mais tarde influenciaram o nacionalismo racial alemão.

    American Eugenics Society — promovia pesquisas e políticas de esterilização e segregação com base em supostas diferenças biológicas entre grupos humanos.

    O movimento da “antropologia física racial” do século XIX em geral tentava classificar humanos em categorias rígidas usando:

    tamanho do crânio,

    ângulo facial,

    textura do cabelo,

    formato do nariz,

    testes de QI primitivos,

    e medições corporais.

    Muitos desses estudos estavam ligados ao contexto colonial europeu, escravidão, nacionalismo e políticas de segregação. Hoje, a genética moderna mostra que:

    há variação genética entre populações humanas,

    mas as diferenças internas dentro de um mesmo grupo costumam ser maiores do que as diferenças médias entre grupos,

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  3. e categorias raciais tradicionais não correspondem de forma simples a divisões biológicas rígidas.

    Um marco importante na crítica dessas teorias foi o trabalho de Franz Boas, que mostrou que características físicas humanas variavam bastante com ambiente e nutrição, enfraquecendo ideias racialistas fixas.

    Mais recentemente, estudos genéticos ligados ao Human Genome Project reforçaram que todos os humanos são extremamente próximos geneticamente.


    Quais do século 20 mais recente

    No século XX mais recente — especialmente entre as décadas de 1960 e 1990 — surgiram estudos mais focados em psicometria, genética comportamental e QI. Alguns ficaram muito famosos e extremamente controversos porque argumentavam existir diferenças médias de inteligência entre grupos étnicos. Os principais nomes e obras foram:

    Arthur Jensen — publicou em 1969 o artigo How Much Can We Boost IQ and Scholastic Achievement?, sugerindo que parte das diferenças médias de QI entre negros e brancos nos EUA poderia ter componente genético. Isso gerou enorme debate científico e político.

    Richard Herrnstein e Charles Murray — autores do livro The Bell Curve. O livro defendia que o QI teria forte influência hereditária e discutia diferenças estatísticas entre grupos étnicos. Foi muito criticado por interpretações sociais e por possíveis vieses metodológicos.

    Philippe Rushton — tentou relacionar diferenças populacionais a comportamento, inteligência e sexualidade através de teorias evolucionistas. Suas ideias foram amplamente acusadas de racismo científico.

    Hans Eysenck — conhecido por pesquisas sobre personalidade e inteligência; em alguns momentos sugeriu possível componente genético em diferenças de QI entre grupos humanos.

    William Shockley — apesar de ser físico, tornou-se figura pública defendendo políticas eugenistas ligadas a QI e hereditariedade.

    Também existiram estudos usando:

    testes padronizados de QI,

    gêmeos idênticos,

    adoção,

    heredabilidade estatística,

    genética populacional inicial.

    O grande problema é que separar “genética” de fatores sociais é extremamente difícil. Críticos apontavam variáveis como:

    pobreza,

    segregação,

    qualidade escolar,

    nutrição,

    estresse social,

    viés cultural dos testes,

    discriminação histórica.

    Hoje, o consenso predominante em áreas como genética, antropologia e neurociência é mais cauteloso:

    diferenças médias de desempenho entre populações podem existir em alguns testes,

    mas a causa exata é multifatorial e muito debatida,

    e não há evidência sólida de “hierarquias raciais biológicas” simples como defendiam antigas teorias racialistas.

    Além disso, a genética moderna mostrou que inteligência é um traço extremamente complexo, influenciado por milhares de genes e fortemente pelo ambiente.

    E do século 21

    No século XXI, praticamente não existem estudos científicos sérios defendendo “raças humanas superiores” no sentido clássico do racismo científico do século XIX. O que existe são debates mais técnicos e controversos sobre genética comportamental, QI, ancestralidade populacional e diferenças estatísticas entre populações.

    Alguns nomes frequentemente associados a essas discussões recentes:

    James Watson — co-descobridor da estrutura do DNA. Em 2007, fez declarações públicas sugerindo diferenças médias de inteligência entre africanos e europeus, o que gerou forte condenação científica e perda de cargos honorários.

    Nicholas Wade — escreveu A Troublesome Inheritance, argumentando que evolução recente poderia ter produzido diferenças comportamentais entre populações humanas. Muitos geneticistas criticaram o livro por extrapolar além das evidências disponíveis.

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  4. Richard Lynn — continuou publicando trabalhos e compilações de QI nacional/populacional no século XXI. Seus métodos e conclusões foram amplamente contestados.

    Noah Carl — ficou envolvido em controvérsias ligadas a pesquisas sobre inteligência e imigração. Houve acusações de uso inadequado de dados e associação com círculos racialistas.

    Também houve debates envolvendo:

    estudos de associação genética ampla (GWAS),

    testes poligênicos,

    medicina genética baseada em ancestralidade,

    diferenças populacionais em doenças e respostas a medicamentos.

    Por exemplo:

    certas populações têm maior prevalência de algumas doenças genéticas,

    variantes ligadas à tolerância à lactose variam por região,

    adaptações a altitude existem em populações tibetanas,

    anemia falciforme tem relação histórica com regiões de malária.

    Essas diferenças biológicas populacionais são aceitas pela genética moderna. O ponto controverso aparece quando alguém tenta extrapolar isso para inteligência, moralidade ou “valor humano”.

    Hoje, o consenso predominante em instituições como a American Society of Human Genetics é que:

    populações humanas possuem diferenças genéticas estatísticas reais,

    mas “raça” é uma categoria social muito imprecisa biologicamente,

    e não existe evidência científica robusta para hierarquias raciais simples de capacidade humana.

    Além disso, muitos pesquisadores atuais evitam conclusões fortes porque:

    inteligência é altamente poligênica,

    ambiente influencia enormemente o desenvolvimento cognitivo,

    genes associados a cognição explicam apenas parte pequena da variação,

    e populações humanas são historicamente muito misturadas.




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