Homossexualidade e Espiritismo:



Homossexualidade e Espiritismo:

Hoje muito se fala no movimento espírita da homossexualidade como algo natural. Nas obras fundamentais Kardec não chega a falar especificamente sobre esse tema. Apenas em um artigo da revista espírita Kardec deixa a entender que está falando da homossexualidade:

"Depois, pode acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz com que durante muito tempo ele possa conservar, na condição de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. Somente quando chegado a um certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos. Os que se nos apresentam como homens ou como mulheres assim o fazem para nos lembrarmos da existência em que os conhecemos. Se essa influência da vida corporal repercute na vida espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação, ele trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito; se ele for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado. Mudando de sexo ele poderá, portanto, sob essa impressão e em sua nova encarnação, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerentes ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres." FONTE: Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1866 > Janeiro > As mulheres tem alma? https://www.kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/900/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1866/5889/janeiro/as-mulheres-tem-alma

Contudo, ele não deixa claro o que são essas anomalias aparentes a que ele se refere. Muito provavelmente se referia realmente ao fenômeno homossexual. Muitos argumentam que por Kardec falar em anomalia aparente ele estaria se referindo a algo que parece anômalo, mas não é. No dicionário se diz que uma das definições possíveis de aparente é aquilo que "aparece, que é ou se torna visível; evidente". Desse modo, anomalia aparente estaria se referindo a algo visivelmente, evidentemente anômalo. Segundo o que diz Kardec, por conta da materialização do espírito ainda atrasado, passando de um sexo a outro ele pode levar consigo certas tendências do sexo que havia encarnado anteriormente. Isso explicaria o comportamento de certas crianças com pouca idade, que já revelam um comportamento diferente em relação às demais. Além disso, nada há tratando claramente sobre o tema. Eu queria nesse artigo, porém, mostrar certas opiniões de alguns espíritas que, claro, não representam  a doutrina espírita, mas que não deixam de ser opiniões que devem ser ouvidas e refletidas. Vejamos primeiro a visão de Herculano:
"O homossexualismo, nos dois sexos, por sua intensidade nas civilizações antigas e sua revivescência brutal em nosso tempo, é a mais grave dessas anormalidades que hoje se pretende declarar normais. [...] A finalidade genética do sexo define de maneira irrevogável a sua normalidade. Toda prática sexual que não corresponda à sua finalidade ao mesmo tempo equilibradora, produtora e reprodutora do organismo humano é anormal, acusando disfunções e desvios mórbidos no indivíduo e no grupo social. Qualquer justificativa dessas anormalidades não passa de sofisma atentatório da própria existência da espécie. O crime cometido pelos que se utilizam desses sofismas para disfarçar a sua incapacidade profissional é o de traição à verdade, à ética profissional e individual, à moral social, à dignidade humana, às exigências da consciência, culminando, por sua extensão à humanidade, no crime de genocídio." FONTE: HERCULANO PIRES NA OBRA VAMPIRISMO, COMPORTAMENTO HUMANO

Vemos que para Herculano o que define a normalidade de uma prática sexual é a finalidade do sexo, sendo sua finalidade principal a reprodução.

Em outra obra Herculano faz criticas à psiquiatria moderna que aceita a homossexualidade como algo normal:
“Ao invés de dar-lhes a falsa cidadania da normalidade, podiam os psiquiatras da libertinagem recorrer às teorias da dignidade humana, que se não são espirituais, pelo menos defendem os direitos do espírito. Mas preferem deixar-se envolver, que é mais fácil e mais rendoso, tornando-se os camelôs ilustres da homossexualidade, os protetores e incentivadores pseudocientíficos da depravação." FONTE: J. Herculano Pires na obra MEDIUNIDADE (Vida e Comunicação) CAPÍTULO VIII O VAMPIRISMO

Vídeo com áudio extraído do programa de rádio de Herculano, onde ele trata do tema da homossexualidade: https://www.youtube.com/watch?v=2HYtZC_Nc6E&t=5s

Como vemos, já na época de Herculano havia um movimento em prol da aceitação da homossexualidade como algo natural e plenamente correto, considerando como uma das mais graves anormalidades que pretendemos classificar como normal. Ora, o homossexual deve ser respeitado, de forma caridosa, como qualquer um. Apontar um erro não é necessariamente falta de caridade. Em verdade, é muitas das vezes caridade avisar onde está o tropeço. 

Pelo que se vê, Herculano tinha uma posição bem diferente da visão do Chico e de Emmanuel, na obra Sexo e Vida, que considera a homossexualidade algo normal:
"O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais. A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência." FONTE: EMMANUEL, VIDA E SEXO, HOMOSSEXUALIDADE

Outro autor espírita e psiquiatra emitiu suas visões sobre esse tema, Jorge Andrea. Vejamos:
"No homossexualismo teríamos os casos típicos de desvios patológicos em que os indivíduos procurariam atender às solicitações sexuais com o parceiro do mesmo sexo, em atitudes ativas ou passivas.Sobre esses três capítulos preferimos conceituar o intersexualismo e o transexualismo como desvios com inexistência desarmônica de prática sexual física." FONTE: Jorge Andréa - Capítulo IV - FORÇAS SEXUAIS DA ALMA

Hoje em dia a medicina não considera a homossexualidade doença, embora a definição de doença ainda seja um tanto debatida. Contudo, a homossexualidade ainda deve ser vista como um desvio do normal, que não deve ser aceita como o ideal. Devemos levar em conta nessa questão a lei de reprodução, uma lei natural e imutável. O ato homossexual é contrário, portanto, à natureza e à própria fisiologia humana. Deve ser visto como fruto da inferioridade de nosso mundo, de provas e expiações, ainda pouco adiantado.

Há uma questão do Livro dos Espíritos que pode lançar luz nessa questão:

694. Que pensar dos usos que têm por fim deter a reprodução, com vistas à satisfação da sensualidade?

— Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e o quanto o homem está imerso na matéria.

Vemos que os usos que tem por objetivo impedir a reprodução, quando visam apenas à satisfação dos desejos sexuais, demonstram a materialização atual do nosso mundo. O uso de preservativos cabe no contexto de planejamento familiar e para o prazer mútuo do casal. Isso demonstra que o objetivo principal do sexo é a reprodução. Em via de regra o casamento gera filhos, embora haja casos de casais inférteis ou que não querem ter filhos biológicos. No caso a prática homossexual, como pensava o próprio Herculano no trecho citado anteriormente, não se coaduna com a finalidade principal da sexualidade: a reprodução da espécie. 

Os Espíritos não tem sexo, pois não tem órgãos, como Kardec esclarece no próprio Livro dos Espíritos, na questão 200 até a 202. O sexo é necessário para a reprodução e continuação do mundo material. Vejamos o que se diz na Revista Espírita sobre isso:
"Sempre foi dito que os Espíritos não têm sexo. Os sexos só são necessários para a reprodução dos corpos. Como os Espíritos não se reproduzem, o sexo lhes seria inútil." FONTE: Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - 1862 > Junho > Palestras familiares de além túmulo > Sr. Sanson - 3ª Palestra

Não podemos deixar de considerar também a visão de Paulo de Tarso sobre esse tema. Embora para nós espíritas a bíblia não seja a palavra inerrante de Deus, tem um valor moral e espiritual magnífico:
“24Por isso Deus entregou os seres humanos aos desejos do coração deles para fazerem coisas sujas e para terem relações vergonhosas uns com os outros. 25Eles trocam a verdade sobre Deus pela mentira e adoram e servem as coisas que Deus criou, em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, que deve ser louvado para sempre. Amém! 26Por causa das coisas que essas pessoas fazem, Deus as entregou a paixões vergonhosas. Pois até as mulheres trocam as relações naturais pelas que são contra a natureza. 27E também os homens deixam as relações naturais com as mulheres e se queimam de paixão uns pelos outros. Homens têm relações vergonhosas uns com os outros e por isso recebem em si mesmos o castigo que merecem por causa dos seus erros.”
 Primeira epístola aos romanos 1

Outro trecho das cartas de Paulo que trata desse assunto é 1 Coríntios 6:10:
"Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus."

Comentários

  1. "A característica dominante da sexualidade é a função criadora.

    (...) nem todos os homossexuais masculinos são do tipo efeminado e passivo. Alguns, ao contrário, são perigosamente violentos e agressivos, a mais das vezes por questões de ciúmes e rivalidades.

    A óbvia evidência de que o homossexualismo, difundido pelo mundo todo, sendo hoje quase que praticado às claras, sem constrangimentos ou inibições, não deixou de ser um desvio de comportamento.

    (...) não há como evitar a caracterização das práticas homossexuais como desvios de comportamento.

    Em outras palavras: o sexo não é uma instrumentação de prazer e sim um mecanismo reprodutor, ao qual o elemento prazer foi adicionado como estímulo à preservação das espécies.

    Mesmo se admitindo a dificuldade de caracterizar com relativa precisão e nitidez os conceitos de normalidade e anormalidade no comportamento humano, e matizá-los com propriedade, não encontramos apoio científico ou doutrinário para considerar NORMAL a prática homossexual masculina ou feminina. É um comportamento anômalo, como assinalam os especialistas.

    É evidente, portanto, que, por mais difundidas que sejam as práticas homossexuais e por maior que seja o respeito dedicado aos que se envolvem nelas, o homossexualismo é um comportamento delinquente, do ponto de vista espiritual, ainda que não entendido assim pela legislação humana.

    E nisso estão de acordo Espíritos e cientistas encarnados que consideram a prática como 'ato sexual anômalo', em conflito com 'a lei magna' por pessoas de 'frágil estrutura psicológica', em 'precário equilíbrio emocional'.

    O que caracteriza o homossexualismo como problema psicossomático, ou melhor, afetando, em conjunto, o dualismo corpo/espírito.

    É, portanto, uma disfunção emocional que precisa ser convenientemente tratada, visando ao eventual retorno ao equilíbrio, à consolidação das estruturas psicológicas, ao respeito à lei magna, ao comportamento REGULAR, se é que desejamos evitar o termo NORMAL.

    A visão espírita da problemática sexual, como um todo, e da homossexualidade, em particular, é, portanto, infinitamente mais abrangente, responsável e inteligente que a visão unilateral que se tem a partir de uma postura meramente organicista, biológica, material."

    Hermínio C. Miranda, "Visão dualista do problema sexual". In: AMORIM, Deolindo. "O espiritismo e os problemas humanos". São Paulo: USE, 1985, pp. 163-184.

    ResponderExcluir
  2. "No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos, para que se opere a substituição dos seres que morrem." FONTE: O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XXII - Não separareis o que Deus juntou > Indissolubilidade do casamento > 2

    ResponderExcluir
  3. 695. Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres?

    “É um progresso na marcha da Humanidade. ”

    696. Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento?

    “Seria uma regressão à vida dos animais.”

    A união livre e fortuita dos sexos é o estado de natureza. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, o retorno à infância da Humanidade, e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais, que lhe dão o exemplo de uniões constantes. LE

    ResponderExcluir
  4. Título VIII
    Da Ordem Social

    Capítulo VII
    Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso



    Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

    § 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.

    § 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

    § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

    § 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

    § 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

    § 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.

    § 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

    § 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

    ResponderExcluir
  5. https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_07.05.2015/art_226_.asp

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas